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A única pessoa que me parecia ter argumentos, embora ameaçadores, era o avô, mas quando ele falou em «fugir» acabou de me passar um atestado de cobardia. Portanto, não há que ter medo dele, vamos em frente, pela Alexandra, amanhã em na Av. Central em Braga!

newsru.com

Pode ler-se num site noticioso russo que a imprensa local não deixa de acompanhar constantemente o caso da menina entregue pelo Tribunal de Barcelos ao casal Pinheiro, decisão que posteriormente veio a ser contrariada pelo Tribunal da Relação de Guimarães. Usando o tradutor do Google,  se bem que não obtendo uma tradução perfeita mesmo que para Inglês, consegue-se retirar assim algumas “peças importantes” sobre o que é dito nos noticiários russos. (ver imagens).

Petição em larga escala lançada na Internet em defesa do regresso da menina a Portugal

Petição em larga escala

Numa notícia de dia 28 de Maio actualizada às 19:37 (hora local) pode ler-se alem de outros desenvolvimentos deste caso, que na Internet corre uma petição em larga escala pedindo o regresso da pequena Alexandra a Portugal, que eu mesmo implementei com apenas a intenção de ajudar a pequena Alexandra, nunca para entrar em conflito nem pressionar as autoridades competentes, apenas alerta-las para a preocupação de milhares de pessoas, mais aquelas que não assinaram por algum motivo. É também referido que os bloggers russos são da opinião que Portugal tem um futuro melhor para oferecer a esta criança, defendendo assim também eles o seu regresso ao nosso país, chegando mesmo a publicar o texto da petição nos seus sites (agradecimento), o que justifica uma grande adesão à mesma por parte de cidadãos de leste, principalmente da Rússia. A esta hora a petição referida conta com mais de 14 mil signatários apesar de quando foi escrita a notícia contar apenas com 11 mil.

Ministério dos Negócios Estrangeiros faz advertência à comunicação social

Ministro Russo Adverte os Media

O ministério começa por considerar provocativa a abordagem feita pelos media a este caso, em algumas publicações (entre as quais o tal “jornal do estado”, como diz o meu amigo Caetano, não deve estar incluído). Referindo depois que este é o destino da criança e não se pode transformar este caso em mais um “reality Show”. Continua o responsável político russo dizendo que os jornalistas devem pensar no futuro da menina e deixar esta família “em paz” durante uns tempos, para que possam adaptar-se às suas novas condições de vida em Yaroslavl. Refere ainda que a situação irá ser devidamente acompanhada para verificar que os interesses da pequena Sasha não sejam violados.

Considerações finais

Dito isto, infelizmente trata-se de um caso com uma complexidade imensa. Após voltas e mais voltas, opiniões e mais opiniões, debates e entrevistas, penso que está inerente ao discurso do Ministério dos Negócios Estrangeiros Russo aquilo que esperávamos e que muita gente já tinha dito, as hipóteses da criança voltar a Portugal são praticamente nulas. Muito dificilmente a Rússia deixará sair uma cidadã que Portugal lhes entregou por ordem judicial e que agora está sobre a sua tutela. A não ser que hajam novos desenvolvimentos e que estes venham a ser marcantes para que o caso tome um novo rumo, penso que esta história irá agora acalmar um pouco.


Alexandra e a sua cadela Lúcia

Alexandra e a sua cadela Lúcia trocam olhares de cumplicidade mútua...

Termino dizendo que é com bastante angústia que vejo uma criança que poderia andar aos saltos e a correr pela casa ou pela rua, feliz, aqui não muito longe da minha casa (Encourados tal como a minha terra ficam ambas no concelho de Barcelos), ter de recomeçar a sua vida num país diferente, com uma família diferente, um ambiente familiar aparentemente instável e estranho, sem amigos que terá de arranja-los, e principalmente num estado com uma realidade completamente diferente. Tudo coisas às quais não estava habituada devido ao facto de ter sido “abandonada”, (usando as palavras de Eduardo Sá) «em banho-maria» este tempo todo…

Boa sorte Xaninha, como te chamam aqueles que muito carinho nutrem por ti!

Pelo que vi na TV estes dias eu tinha razão no meu anterior texto sobre este assunto. A menina nunca devia ter sido entregue à mãe biológica como se de uma “herança ascendente” se tratasse! Recordo que o Juiz alegou que os laços maternais deveriam prevalecer, para tomar essa decisão, logo deduz-se que uma menina de 6 anos foi tratada como se de um objecto ou imóvel se tratasse, sendo entregue à mãe que a tinha abandonado anteriormente, a quem tinha sido retirada por maus tratos, como se a criança fosse dela por direito. Interessante forma de ver como se trata uma criança…

Viu-se nas imagens televisivas a forma como a mãe a trata na Rússia, argumentando, passo a citar «mas que raio de educação foi esta que lhe deram?». Alguém que explique a essa senhora, pois eu não sei falar Russo, que o problema não está na educação (e carinho) que lhe deram mas sim na educação (e carinho) que ela não sabe dar-lhe, o problema é que ela não sabe lidar com a filha!

CriançasTodas as crianças precisam de ser tratadas com carinho, certo que não podem sempre fazer tudo o que elas querem, também não acho que devam ser maltratadas só porque querem ir ter com um simples irmão, neste caso, irmã. Ouviu-se em português perfeito, que a menina queria ir ter com a irmã, provavelmente a única pessoa naquela casa que deve imaginar o que ela está a sentir, pois é filha da mesma mãe, e que é capaz de ter um pouco de afecto para lhe dar.

Para quem não tem acompanhado o caso lembro que em causa estão duas decisões judiciais contraditórias. O Tribunal de Barcelos considerou que a mãe não tinha condições para educar a menor que chegou mesmo a comparecer alcoolizada em sessões no tribunal. Já o Tribunal da Relação de Guimarães considerou que os laços mais biológicos deviam prevalecer, obrigando a entrega da menor à mãe alcoólica… perdão, biológica.

Há quem argumente e com razão que não se pode confundir acolhimento com adopção, mas neste caso penso que esse argumento é automaticamente invalidado pelos problemas, ou melhor, factos, a ele inerentes, já descritos acima, na imprensa e no meu post anterior.

Para terminar fica mais um argumento para sustentar a minha opinião em relação a este caso. Diz a declaração Universal dos Direitos da Criança, de que Portugal é um dos subscritores:

A criança deve – em todas as circunstâncias – figurar entre os primeiros a receber proteção e auxílio.” … “A criança deve ser protegida contra toda forma de abandono, crueldade e exploração.” … “O interesse superior da criança deverá ser o interesse director daqueles que têm a responsabilidade por sua educação e orientação” … “A criança necessita de amor e compreensão, para o desenvolvimento pleno e harmonioso de sua personalidade … num ambiente de afecto e segurança moral e material” … “A sociedade e as autoridades públicas terão a obrigação de cuidar especialmente do menor abandonado ou daqueles que careçam de meios adequados de subsistência.”

A ignorância também é amiga do mal

Diz o Gil que eu gosto de “bater” durante os meus textos, então vou fazer mais um post daqueles que costuma ter o objectivo de “cascar” em alguém que se sinta à vontade para enfiar a carapuça.

Ao contrário do que alguns ignorantes e incoerentes dizem, aqueles que praticamente dizem que não podem ver a Microsoft à frente mas usam o Windows (!), a empresa americana não bloqueou o seu serviço MSN em certos países porque lhe apeteceu ou porque esses mesmos países não gostam dos USA. Trata-se de uma medida da Política anti-terrorismo dos Estados Unidos.

Muita gente se estará a perguntar como é que um terrorista vai usar uma ferramenta tão simples e tão fácil de espionar para combinar actos terroristas? Só um estúpido pensaria em fazer isso! Mas mais uma vez esta é para os ignorantes que ainda ironizaram com isso! Eu passo a explicar e corrijam-me se estiver enganado: é precisamente aí que está o problema, a falta de segurança do MSN, mais por descuido e por vezes de ignorância por parte das pessoas que clicam em tudo que é link, o MSN tem proliferado como ferramenta para distribuição de vírus e spywares, logo num país com intenção de espionar os Estados Unidos, um simples utilizador (disfarçado) do Messenger pode perfeitamente usar a aplicação para conseguir entrar em computadores ou redes de outros países, incluindo em computadores dos próprios EUA.

Julgo que é fácil de perceber que se trata de uma, apertada confesso, medida de segurança por parte dos Estados Unidos e essa ordem veio das mais altas autoridades dos serviços de segurança do país agora governado pelo “Justiceiro” Obama e não foi certamente ideia da Microsoft.

Mas para vos elucidar melhor sobre este assunto, cito um outro exemplo desta vez conseguido por uma empresa de segurança em ligações P2P:

«A Tiversa, uma empresa de segurança especializada em tecnologia peer-to-peer, estava fazendo suas rondas habituais quando deu de cara com as informações, em um servidor iraniano. Traçando a origem, identificaram uma empresa prestadora de serviços do Departamento de Defesa, em Maryland. Um funcionário da empresa baixou um programa P2P (não-identificado) e como a maioria dos usuários, não se preocupou em configurar corretamente os diretórios compartilhados. Com isso todo o computador foi indexado e tornado público. Incluindo as informações sigilosas.

Não há acusações de espionagem, o que mostra que o Departamento de Defesa acredita na máxima “nunca atribua à malícia o que pode ser explicado pela estupidez”.»

Meu Deus livrai-nos dos nossos tribunais

AlexandraÉ incompreensível como a justiça portuguesa trata certos casos, já não sei se estas desisões são tomadas com base nas leis se nos interesses políticos. Pelo que pude ler no JN de hoje foi com gritos e lágrimas que decorreu a entrega da menina russa à mãe biológica, segundo uma ordem judicial aplicada pelo tribunal. De nada valeu a tentativa do advogado da família de acolhimento de Barcelos em tentar evitar este desfecho.

É já a segunda vez em Portugal que o tribunal acaba por atribuir o dever paternal às pessoas biologicamente ligadas às crianças, ignorando quem está afectivamente mais ligado às mesmas como se o aspecto afectivo não fosse importante para nada. Dá a sensação que se estamos a tratar de casos de heranças em que uma determinada pessoa tem o direito e o poder sobre aquele objecto ou imóvel. Hoje em dia tratam-se as crianças como se fossem campos ou casas?!

Pelo que vi, já por duas vezes a menina foi retirada à mãe biológica e numa delas com suspeitas de abusos sexuais, não sei se isso é verdade mas se for é absurdamente estúpido e irresponsável que se tome uma decisão destas dando uma 3ª oportunidade, desta vez certamente definitiva, a alguém que já maltratou e supostamente já abusou ou deixou que abusassem da criança.

No entanto são tomadas medidas “mediáticas” no sentido de proteger os membros menores das redes sociais existentes na Internet, assinando-se um acordo europeu entre as empresas responsáveis por esses sites, como se eles estivessem preocupados com o bem estar dos seus membros e não com o sucesso dos seus sites.

Creio existir uma grande disparidade e falta de cuidado nestes assuntos e depois as coisas acontecem… Enfim!