E se de repente alguém lhe lavasse o carro
O prometido é devido e tal como disse no Facebook há umas horas, aqui fica a história de quando me lavaram o carro enquanto eu trabalhava afincadamente.
Tal como de costume deixei o carro (bem) estacionado numa rua pouco movimentada, a poucos metros da empresa onde trabalho. Como é normal na periferia de uma cidade, nesse local há uma vivenda. Talvez por estarmos muito próximos da Páscoa, o dono da mesma resolveu lavar o muro que separa a sua propriedade da via pública. É tarefa habitual pôr a casa bonita nesta altura do ano. O Pior disto tudo é que o muro foi lavado com uma maquina de pressão, daquelas que ejectam água a uma velocidade considerável. Uma vez que o muro precisava mesmo desse tipo de cuidados o que aconteceu foi que, devido à “força da água”, foram ”saltando” vários residuos de tinta branca (seca) e areia provenientes do muro. Bom, até aqui tudo normal, não fosse isso acontecer a cerca de um metro do meu carro!!
Terminada a limpeza, o senhor que fez este (lindo) serviço reparou que o meu carro ficou um pouco sujo e então, aproveitando o facto de estar com a máquina ligada e começa a lavar-me o carro, com a máquina… Nada que eu nunca tenha feito só que com uma pequena diferença, eu faço-o com o carro destrancado e por conseguinte, com o sistema anti-roubo desligado. Já sabem o que aconteceu! Como se alguém tivesse soltado foguetes ali perto, o “alarme” é accionado e o meu carro fica ali a buzinar de forma intermitente até que eu, como que adivinhando o que estava a acontecer, saio temporariamente da empresa aproveitando o período de pausa que tenho direito àquela hora.
Logo ao sair do portão da empresa ouvi um som intermitente, ao principio pensei tratar-se de um veículo pesado a fazer marcha-a-trás, mas já na rua e depois de ver o meu carro com os quatro piscas ligados, imediatamente percebi que o meu pensamento estava errado… Enquanto me aproximava do local apertei a chave, o barulho parou. Perto do carro estava uma senhora (a dona da casa) parecendo dizer qualquer coisa que eu não poderia ouvir mas seria algo do género: «olha, vem aí o dono do carro!». Tinha razão, era mesmo o dono do carro.
Chego ao pé do carro, vejo parede lavada, o carro ainda a pingar e duas ou três pessoas a olhar para mim como uma criança quando faz uma asneira e de repente chega um adulto para ver o que se passou. Percebo logo o que tinha acontecido. Quando vou entrar no carro alguém se dirige a mim dizendo «Fui eu! Estava a lavar a parede e saltou um bocado de tinta…». Não gostei nada do que vi e nem deixei o senhor dizer mais nada. Retorqui algo do tipo – Podia ter-me mandado chamar e eu tirava o carro daqui! E entrei no carro… O senhor ficou a olhar para mim com cara de parvo! Os moradores daquela rua sabem perfeitamente que quem estaciona ali, ou são moradores ou são funcionários da empresa ali ao lado. E a empresa tem uma portaria para mandar chamar alguém, como mandam as regras da boa educação.
Peguei no carro e fui fazer o que ia fazer mesmo que isto não tivesse acontecido. Agora eu pergunto é o seguinte:
- Se tivessem estragado o carro será que iriam pagar os estragos?
- Se eu não tivesse saído naquele momento, iria o meu carro ficar ali a buzinar até às 10H da noite?
Ainda estou a pensar nas respostas…
PS – O carro não teve nada, apenas ficou “mal lavado”, depois de secar ainda se notam perfeitamente os resíduos de areia!
