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Blog pessoal de Paulo Varela – opinião e devaneios de um cidadão comum

E se de repente alguém lhe lavasse o carro

O prometido é devido e tal como disse no Facebook há umas horas, aqui fica a história de quando me lavaram o carro enquanto eu trabalhava afincadamente.

Tal como de costume deixei o carro (bem) estacionado numa rua pouco movimentada, a poucos metros da empresa onde trabalho. Como é normal na periferia de uma cidade, nesse local há uma vivenda. Talvez por estarmos muito próximos da Páscoa, o dono da mesma resolveu lavar o muro que separa a sua propriedade da via pública. É tarefa habitual pôr a casa bonita nesta altura do ano. O Pior disto tudo é que o muro foi lavado com uma maquina de pressão, daquelas que ejectam água a uma velocidade considerável. Uma vez que o muro precisava mesmo desse tipo de cuidados o que aconteceu foi que, devido à “força da água”,  foram  ”saltando” vários residuos de tinta branca (seca) e areia provenientes do muro. Bom, até aqui tudo normal, não fosse isso acontecer a cerca de um metro do meu carro!!

Terminada a limpeza, o senhor que fez este (lindo) serviço reparou que o meu carro ficou um pouco sujo e então, aproveitando o facto de estar com a máquina ligada e começa a lavar-me o carro, com a máquina… Nada que eu nunca tenha feito só que com uma pequena diferença, eu faço-o com o carro destrancado e por conseguinte, com o sistema anti-roubo desligado. Já sabem o que aconteceu! Como se alguém tivesse soltado foguetes ali perto, o “alarme” é accionado e o meu carro fica ali a buzinar de forma intermitente até que eu, como que adivinhando o que estava a acontecer, saio temporariamente da empresa aproveitando o período de pausa que tenho direito àquela hora.

Logo ao sair do portão da empresa ouvi um som intermitente, ao principio pensei tratar-se de um veículo pesado a fazer marcha-a-trás, mas já na rua e depois de ver o meu carro com os quatro piscas ligados, imediatamente percebi que o meu pensamento estava errado… Enquanto me aproximava do local apertei a chave, o barulho parou. Perto do carro estava uma senhora (a dona da casa) parecendo dizer qualquer coisa que eu não poderia ouvir mas seria algo do género: «olha, vem aí o dono do carro!». Tinha razão, era mesmo o dono do carro.

Chego ao pé do carro, vejo parede lavada, o carro ainda a pingar e duas ou três pessoas a olhar para mim como uma criança quando faz uma asneira e de repente chega um adulto para ver o que se passou. Percebo logo o que tinha acontecido. Quando vou entrar no carro alguém se dirige a mim dizendo «Fui eu! Estava a lavar a parede e saltou um bocado de tinta…». Não gostei nada do que vi e nem deixei o senhor dizer mais nada. Retorqui algo do tipo – Podia ter-me mandado chamar e eu tirava o carro daqui! E entrei no carro… O senhor ficou a olhar para mim com cara de parvo! Os moradores daquela rua sabem perfeitamente que quem estaciona ali, ou são moradores ou são funcionários da empresa ali ao lado. E a empresa tem uma portaria para mandar chamar alguém, como mandam as regras da boa educação.

Peguei no carro e fui fazer o que ia fazer mesmo que isto não tivesse acontecido. Agora eu pergunto é o seguinte:

  • Se tivessem estragado o carro será que iriam pagar os estragos?
  • Se eu não tivesse saído naquele momento, iria o meu carro ficar ali a buzinar até às 10H da noite?

Ainda estou a pensar nas respostas…

PS –  O carro não teve nada, apenas ficou “mal lavado”, depois de secar ainda se notam perfeitamente os resíduos de areia!

O Facebook no local de trabalho

Segundo a Lux, Câmara Municipal de Coimbra cortou o acesso ao Facebook aos seus funcionários. Além de já não ser pioneira, há quem ache justo e há também quem lembre que estamos numa democracia.

Na minha opinião trata-se de uma medida daquelas em que paga o justo pelo pecador. Há muita gente que usa o Facebook apenas pelos jogos e aplicações inúteis (eu chamo-lhe inúteis porque a mim não me servem de nada), para essas pessoas acho bem, o local de lazer não é propriamente o seu local de trabalho. Já para empresas e outras que usem as redes sociais para partilhar e trocar informação importante e útil, não vejo nada de mal em fazer uso dele no trabalho.

A crise é relativa

Acabei de ouvir esta frase numa reportagem da RTP, foi nesse momento que comecei a escrever este artigo. Realmente não podia ser mais verdade, a crise não é mesmo para todos! Existem várias pessoas a dizer o mesmo e as que mais o dizem são aquelas a quem a crise chega com mais gravidade.

Algumas até, visivelmente indignadas com o facto da crise não chegar a todos, nomeadamente a quem lhes provocou toda esta crise, os patrões, os políticos, todos os altos cargos que serviram para muita gente amealhar milhões de euros ao longo destes anos. Um dia o dinheiro havia de acabar! Todos esses não estão nem irão estar em crise pois grande parte do dinheiro que falta actualmente a muita gente, está no bolso dessas pessoas.

Uma outra parte foi gasta em infra-estruturas, necessárias ou não, todas elas foram feitas e continua-se a projectar ainda mais. Dou o exemplo das Scut, as chamadas autoestradas sem custos para o utilizador, que foram feitas num momento em que o país podia suportar esse método, neste momento parece-me ter sido um erro, um erro que pode ser corrigido… colocando portagens para tentar reaver algum desse dinheiro gasto, já que não é possível ir buscá-lo ao bolso dos senhores das concessionárias que receberam e continuam a receber milhões de euros do estado português.

Podia alongar-me com mais exemplos mas já dá para ter uma ideia e acho que não vale a pena falar nos buracos financeiros provocados por alguns senhores que eram donos de uns bancos…

Para terminar deixo a minha opinião apenas numa frase, a crise só vai terminar de uma vez por todas quando as pessoas souberem repartir o dinheiro pelos outros, em vez de o amealharem (ou seria mais correcto dizer roubarem?) uns aos outros! Eu até lá, tal como vocês, vou ter de continuar a pagar os meus impostos.