Portugal entrou neste Europeu com toda a força, a tal «força de campeões» de que tanto se fala. Presenteando-nos, ou até surpreendendo alguns, com uma brilhante exibição frente à Turquia, uma equipa à primeira vista acessível mas que acaba por derrotar a República Checa nos últimos 15 minutos de uma partida decisiva (que poderia terminar com grandes penalidades em caso de empate) e passar aos quartos de final da prova, Portugal mostrou logo no primeiro encontro que estava em prova para ganhar e que podia ser um dos candidatos ao título. Se a emoção e a euforia à volta da selecção portuguesa já era grande, tanto em Portugal como em terras suíças, ficou ainda maior depois da vitória por 3-1 no segundo jogo do Grupo A. Portugal foi então elogiado e ainda mais respeitado internacionalmente, tanto pelos técnicos das possíveis equipas adversárias como pelos adeptos estrangeiros.
Apesar disso, mesmo com os pés já nos quartos de final do Euro 2008, a vontade de vencer continuaria como era de esperar, a intenção era fazer o pleno vencendo os três jogos mas tal não aconteceu. Scolari com o objectivo de poupar os melhores jogadores (mais conhecidos por titulares) acaba por fazer oito mexidas na equipa e condiciona assim a sua prestação geral. Ao fazer alterações na defesa, no meio campo e no ataque, a equipa não esteve ao mesmo nível dos jogos anteriores, o que visto de outra forma não é mau, serviu também para testar e colocar a jogar os jogadores que esperavam uma oportunidade na equipa. E afinal para que foram convocados 23 jogadores? Para jogarem sempre os mesmos e os restantes verem os jogos da bancada sem ter de pagar bilhete? Então eu também poderia lá estar, consigo correr, dar uns toques e tentar umas fintas (com sorte até me fintava a mim mesmo), podendo então ser utilizado nos jogos em que não era necessário ganhar, nem sequer empatar…
Mas vamos analisar a prestação da equipa nacional nesta fase de grupos no seu todo. Vejamos, Portugal fez uma coisa que não costuma fazer que é garantir logo o objectivo e poder descansar depois, um ponto positivo. Portugal fez vibrar (para além dos residentes em Portugal) milhares de portugueses residentes na Suiça com duas grandes exibições, mais um ponto positivo. Como se não bastasse – Portugal, tendo a equipa da casa pela frente, estando já apurado para a fase seguinte, jogando praticamente com a chamada “Equipa B”e sendo ainda um pouco prejudicado pela equipa de arbitragem neste derradeiro jogo, consegue dar aos suíços a alegria de vencer um jogo neste Europeu. Considero mesmo que merecem, os residentes deste país que acolhe diariamente os mesmos milhares de portugueses que vibraram com as duas vitórias anteriores. Portugueses esses que amam tanto (ou mais) a sua terra como os que vivem em Portugal, como que se vê claramente pelo apoio que demonstram à equipa portuguesa nesta estadia na Suiça. Portugueses que pelas entrevistas que deram aos canais de televisão, nem se importavam mesmo de perder com a Suíça. Depois disto eu pergunto: Isto não é uma verdadeira equipa de campeões?
Eu respondo que sim, e vocês? E todos os outros portugueses? Será que desejariam o pleno ao ponto de não “perdoar” esta derrota no último jogo, e menos uns “trocos” nos cofres da FPF?
Agora uma coisa é certa, Portugal mesmo sendo uma das melhores equipas do mundo, tem as suas fraquezas. E tenho a certeza que qualquer adversário que venha a defrontar-nos as vai estudar ao pormenor. Mas a realidade é que todas as equipas têm fraquezas e Portugal tem de fazer exactamente o mesmo, explorar as do seu adversário e tentar impor o seu melhor futebol daqui para a frente. Agora sim, como diz Felipão (futuro Big Phil) é o “mata-mata” ou ganhamos ou vamos para casa. O campeão de 2004 já deve ter as malas feitas, o actual campeão do mundo já perdeu 3-0 com a (grande) Holanda e não foi mais cedo embora porque acabou de derrotar a França (a maldição) por 2-0. Portugal e mais 3 são neste momento as únicas equipas que, apesar de tudo, se destacam claramente nesta competição. Isso é motivo para todos nos orgulharmos de sermos portugueses e continuarmos apoiar a nossa selecção, afinal de contas, a partir de agora tudo é possível.
Por tudo isto que escrevi, e por tudo o mais que poderia ter escrito, boa sorte para equipa das quinas (só mais um bocadinho que em 2004) e se a sequência se mantiver, poderá ser este ano. Viva Portugal!
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