A Tourada PróToiro-União Zoófila
A União Zoófila recusou recentemente 500kg de ração provenientes de uma entidade chamada PRÓTOIRO, que se descreve como «uma associação na qual estão representados todos os intervenientes da Festa de Toiros em Portugal e cujo objectivo é promover, divulgar, dignificar e defender esse património imaterial das artes e da cultura portuguesa que é a tauromaquia».
Segundo a UZ (União Zoófila) a recusa deveu-se a uma questão de coerência. Motivo que não é compreendido pela PRÓTOIRO. Segundo o CM (Correio da Manhã), «para o membro do Conselho Executivo Prótoiro, Diogo Costa Gomes, este é mais um exemplo de que em Portugal a causa animal “é um negócio”.» Será que não podemos enquadrar a Prótoiro também na área da causa animal? Se assim for… oops!
Acho curioso, no mínimo, terem se lembrado fazer tão gentil oferta no mesmo dia em que decorria uma marcha pelos direitos dos animais, na qual participava a mesma UZ! Admito que a “mercadoria” até podia muito bem ser aceite, agora, compreendo perfeitamente a posição da UZ ao não achar coerente aceitar bens provenientes de uma causa contra a qual eles lutam… não tem lógica pois não? Ou se calhar tem… Assim como os impostos sobre o tabaco que vão(?) para o sector da Saúde! O que acham? Eu agora fiquei confuso…
Seja como for não concordo com o que se faz a um animal durante uma tourada, já o assumi e sempre que vejo uma tourada penso sempre em torcer pelo animal. Por vezes pensava que estaria a ser demasiado rude com as pessoas. Ao fazer isso estava a defender que se magoassem pessoas em vez de um animal. E é verdade. Mas hoje li que, segundo os aficionados, o estar na arena, nada mais é do que um «ser humano afrontando a morte com dignidade, com nobreza». Sendo assim posso sempre estar do lado do animal, pois afinal eles gostam de correr o risco de perder a vida caso este lhes faça uma investida fatal. É como se de um jogo de futebol se tratasse, fico descansado porque posso então simpatizar mais com a equipa que usa chifres do que a que usa calças apertadinhas e passa o jogo todo a tentar agredir o adversário. O pior disto tudo é que o árbitro só dá o jogo por terminado quando isso acontece… Corruptos!
Aconteceu a semana passada mais uma tourada, ou festa brava como alguns gostam de lhe chamar. Para mim é a mesma coisa. Vi uns minutos na RTP1 e consegui assistir à última pega da noite. Após uma tentativa falhada, por iniciativa do toiro que desviou a cabeça falhando assim o alvo que era o forcado, seguiu-se uma outra. Desta vez o animal “pegou-lhe” com garra elevando o homem de tal maneira que ele caiu no chão. Os colegas que ajudam na pega estavam ainda longe (muito achei eu) e não foram a tempo. O toiro ainda pisou ligeiramente a cara ao forcado. Este saiu da arena algo maltratado (ou pelo menos sem condições para uma nova imvestida) e desta feita foi um outro homem a fazer o que eles chamam de “ir à cara do toiro”.
Mas para que mais ninguém saísse ferido dali os homens desta vez optaram por ir logo atrás uns dos outros de encontro ao toiro. Como fazíamos quando éramos adolescentes. Sempre que alguém batesse num amigo nosso íamos lá todos para acertar contas. Foi assim que fizeram os forcados. Como que arreliados pelo facto de o toiro apenas, ao responder à provocação/chamamento, ter investido num homem “deles”, pensaram, agora vamos lá todos juntos e vamos ver quem tem mais força… Achei lindo! Este forcados são mesmo uns valentes!
PS – Este post foi colocado na secção “Cultura” muito contra minha vontade!


