Cidade da Guarda – 5 F’s, 5 Fotografias
Farta Forte Fria Fiel e Formosa!
O primeiro post da série “foto-legenda” começa com o tema “cidade da Guarda“. Local onde eu estudei e trabalhei durante quase dez anos, uma localidade que me custou a deixar mas que teve de ficar para trás, embora nunca esquecida. Esta será sempre uma página da minha vida assinalada com um marcador de cor fluorescente. Uma cidade que assistiu cúmplice a muitas aventuras, alegrias, amizades, amores e dissabores. Como canta a tuna local numa das suas músicas, uma guardiã de segredos que ficam por revelar…
Localização Geográfica
A cidade da Guarda situa-se no último esporão Norte da Serra da Estrela, sendo a altitude máxima de 1056 m (na Torre de Menagem do Castelo), dominando a portela natural do planalto beirão. Corresponde à cidade mais elevada do país, com domínio visual dos vales do Mondego e do Côa, o que cedo se manifestou como carácter preponderantemente defensivo.
A Sé da Guarda vista da Torre de Menagem emerge entre os edifícios como o mais imponente da cidade. A sua grandiosidade é sentida quer do interior quer do exterior, fazendo-nos sentir imensamente pequeninos!
Era assim a vista para a largo em frente à Sé antes de ser remodelado. A imagem, como pode ver-se, foi registada no dia de um pequeno nevão, que mesmo assim foi o suficiente para aconchegar a cidade farta e fria com um fino manto branco, auxiliado por um mais grosso cobertor de neblina.
Fria no inverno mas muito quente no verão, na Guarda pude ver de perto um dos maiores incêndios que alguma vez assisti. Com direito a cobertura televisiva e meios aéreos para auxiliar no combate às chamas, a população ajudava no que podia, vendo cada vez mais o fogo aproximar-se violentamente encosta acima, em direcção à zona onde estes tinham as suas casas.
Não sei se ainda está aberto ao público este estabelecimento. Foi o nosso último ponto de encontro habitual de amigos. Pequeno e aconchegado, era um local de culto diário entre estudantes, trabalhadores e sobretudo Amigos!
Termino com um registo diferente, esta imagem foi registada enquanto tomava café com uns amigos numa esplanada em plena Rua do Comércio. Era verão e este animal descansava triste, à porta de uma loja. Dizem que os animais não pensam, mas olhando para esta fotografia podemos no mínimo personificar que este ser vivo, com a expressão que apresenta, poderia estar a pensar em muita coisa! Mas nunca ninguém saberá ao certo o quê…
Espero que tenham gostado desta selecção, por vezes é difícil escolher a melhor imagem para mostrar entre tantos momentos já registados. Pelo que pude descobrir no meu curto percurso nesta arte, a fotografia é muito subjectiva, cada pessoa pode dar-lhe a sua própria interpretação, sentindo assim o que o seu olhar lhe está transmitir naquele momento. E esse sentimento pode ou não ser o mesmo que o olhar da pessoa que registou a imagem lhe transmitiu no momento do click!






Wolverine23
Grandes momentos na Guarda, e boas fotos também…
Abraço camarada
Sofia
Olá,
Em primeiro lugar, parabéns por este auspicioso início. Cada imagem é uma história, sem dúvida, e imagino o quebra-cabeças que foi seleccionar tão poucas de tantas imagens!
Pessoalmente, comecei a gostar de fotografia no meu 8ºano, devido à cadeira de Jornalismo. Lembro-me do meu professor, na altura, deixar a turma boquiaberta com os seus registos fotográficos que ele orgulhosamente trazia para preencher os últimos 10 a 15 minutos de aula. Tanto que, na visita de estudo que fizemos no final do ano a Lisboa, todos nós tínhamos uma máquina fotográfica em mãos para retirar das paisagens o que de melhor nós sabíamos, na altura, traduzir.
Bom, mas à frente, para as tuas fotografias…posso dizer aqui o que cada uma delas representou para mim?
Então aqui vai:
Imagem 1: A bela sem o monstro.
Assim definiria a imagem. A Sé é bonita, robusta. Singela mas imponente ao mesmo tempo. Corredores infinitos. Pontos de luz.
Imagem 2: Do nevoeiro nasceu a manhã
Linda e misteriosa fotografia, merece ser emoldurada. Faz-me lembrar o frio intenso, um cachecol, um anorak bem quente, o esfregar das mãos, uma bebida quente. Aquela indecisão de sai-não sai de casa, o encostar do nariz à vidraça gelada da janela.
Imagem 3: A vertigem da Natureza
Sempre que vejo um fogo, através da televisão, penso na expressão: “Os deuses devem estar loucos”. Foram dois os fogos que eu presenciei ao vivo e é certamente agoniante.
Esta fotografia remete-me para os passos velozes que o fogo galga. Sem olhar a meios. Sem ver. Avança, apenas…
Imagem 4: As paredes não têm ouvidos
Não as paredes deste espaço de cumplicidade e convívio. Quem diria, aliás, que por detrás de uma parede tão minimalista, se encontra um espaço de reunião?
Lá em cima, no céu, a lua, a iluminar igualmente a parede tão lisa como a noite.
Imagem 5: Tudo o que te poderia contar
Adoro animais. Cães, sobretudo. O primeiro sentimento que esta fotografia me devolve é “saudades”. Os animais pensam mas, sobretudo, sentem. Os cães também envelhecem, também sentem a solidão. Pior, também são abandonados ao seu destino…é inevitável não sentir um nó algures dentro de mim ao olhar para esta imagem. Apetece-me abeirar do cão e fazer-lhe uma festa. Pelo menos isso. Algum gesto que o possa reconfortar, talvez…
Beijinhos,
Sofia