Depois de ter estado constantemente atento ao blogue do jornalista correspondente na Rússia, José Milhazes, vejo-me obrigado a escrever novamente sobre o mesmo assunto que tenho vindo a abordar aqui. O inevitável “Caso Alexandra”.

Alexandra na Rússia

José Milhazes, teve há dias a oportunidade que muitos gostariam, principalmente a família de acolhimento de Alexandra, que foi a de se encontrar com a menina e ver em que estado ela se encontra, assim como as condições em que de repente se viu obrigada a viver.

Julgo, referindo-me ao autor do artigo que li, ter razão quando diz que já não discute a decisão do tribunal, penso que já está mais do que discutida e as entidades portuguesas nem se dão ao trabalho de falar do assunto. Mesmo não tendo nenhum poder neste caso perante a Rússia, poderiam sempre estabelecer um contacto informal no sentido de tentar ajudar na resolução deste caso, mas nem isso tenho visto! Um exemplo disso – os nossos políticos que obviamente estão mais preocupados com a campanha para as eleições europeias que se avizinham.

Faz-me uma certa confusão um país soberano que se impõem como uma super-potencia mundial, paralelamente não está minimamente preocupada com este tipo de vivências no seu próprio país, dando como justificação as razões que acaba de referir no seu artigo… Sou da opinião que as autoridades russas deviam ter mais acção e menos showbiz. Tapar os olhos às pessoas mostrando apenas que estão preocupados e nada fazerem não resolve os problemas de ninguém.

Quanto à sua sugestão penso que devem continuar os apelos (não confundir com pressões) por exemplo à Unicef, para que tente intervir no caso. Confesso que não sei como estão as relações entre esta Organização das Nações Unidas e a Federação Russa mas penso que não se perde nada em tentar esse caminho.

Dizem por aí que Alexandra neste momento vive como muitas outras crianças deste mundo, é um exemplo da “cultura ignorante” de certas pessoas, seria o mesmo que dizer, Alexandra é apenas mais uma, e mais uma menos uma é igual. Mas esquecem-se que estamos a falar de uma criança que foi salva quem sabe da morte aos 17 meses e encontrou a felicidade graças à boa gente que ainda existe neste pobre Portugal. Boa gente de depois de ter feito tudo pela felicidade de uma filha que não era sua, ainda é acusada de tudo e mais alguma coisa, de mentiras horríveis e inqualificáveis que nem vale a pena lembrar…

Fiquei com uma frase no ouvido – «A menina tem bom aspecto e ainda não entende o que se passa.» – e será que um dia irá entender? Será por isso que ela aparenta estar bem? Não vou dizer feliz pois pelas imagens que vi não senti felicidade nos seus olhos mas sim conformação. Mas no fundo a pequena ainda não sabe ao certo o que vai ser dela daqui em diante… Esperemos que o futuro seja risonho como foi até agora, e que as pessoas deixem de pensar que se trata apenas de mais um caso normal deste mundo pois não o é! Esta criança era feliz e foi privada da felicidade e futuro risonho que poderia ter apenas por caprichos da sua mãe, que insistiu em leva-la com ela, para junto da pobreza a que estava habituada a viver.

Outra coisa que não compreendo, porque é que tantos cidadãos russos são bem recebidos em Portugal quando chegam à procura de uma vida melhor, e esta pequena cidadã inocente que dizem ser russa perante as leis, não pode ficar em Portugal, justamente para ter uma vida melhor? Sinceramente não compreendo…

Bem haja pelo seu trabalho José Milhazes.

Um abraço,

Paulo Varela

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