Novamente a Alexandra, a menina Russa que fala português

Pelo que vi na TV estes dias eu tinha razão no meu anterior texto sobre este assunto. A menina nunca devia ter sido entregue à mãe biológica como se de uma “herança ascendente” se tratasse! Recordo que o Juiz alegou que os laços maternais deveriam prevalecer, para tomar essa decisão, logo deduz-se que uma menina de 6 anos foi tratada como se de um objecto ou imóvel se tratasse, sendo entregue à mãe que a tinha abandonado anteriormente, a quem tinha sido retirada por maus tratos, como se a criança fosse dela por direito. Interessante forma de ver como se trata uma criança…

Viu-se nas imagens televisivas a forma como a mãe a trata na Rússia, argumentando, passo a citar «mas que raio de educação foi esta que lhe deram?». Alguém que explique a essa senhora, pois eu não sei falar Russo, que o problema não está na educação (e carinho) que lhe deram mas sim na educação (e carinho) que ela não sabe dar-lhe, o problema é que ela não sabe lidar com a filha!

CriançasTodas as crianças precisam de ser tratadas com carinho, certo que não podem sempre fazer tudo o que elas querem, também não acho que devam ser maltratadas só porque querem ir ter com um simples irmão, neste caso, irmã. Ouviu-se em português perfeito, que a menina queria ir ter com a irmã, provavelmente a única pessoa naquela casa que deve imaginar o que ela está a sentir, pois é filha da mesma mãe, e que é capaz de ter um pouco de afecto para lhe dar.

Para quem não tem acompanhado o caso lembro que em causa estão duas decisões judiciais contraditórias. O Tribunal de Barcelos considerou que a mãe não tinha condições para educar a menor que chegou mesmo a comparecer alcoolizada em sessões no tribunal. Já o Tribunal da Relação de Guimarães considerou que os laços mais biológicos deviam prevalecer, obrigando a entrega da menor à mãe alcoólica… perdão, biológica.

Há quem argumente e com razão que não se pode confundir acolhimento com adopção, mas neste caso penso que esse argumento é automaticamente invalidado pelos problemas, ou melhor, factos, a ele inerentes, já descritos acima, na imprensa e no meu post anterior.

Para terminar fica mais um argumento para sustentar a minha opinião em relação a este caso. Diz a declaração Universal dos Direitos da Criança, de que Portugal é um dos subscritores:

A criança deve – em todas as circunstâncias – figurar entre os primeiros a receber proteção e auxílio.” … “A criança deve ser protegida contra toda forma de abandono, crueldade e exploração.” … “O interesse superior da criança deverá ser o interesse director daqueles que têm a responsabilidade por sua educação e orientação” … “A criança necessita de amor e compreensão, para o desenvolvimento pleno e harmonioso de sua personalidade … num ambiente de afecto e segurança moral e material” … “A sociedade e as autoridades públicas terão a obrigação de cuidar especialmente do menor abandonado ou daqueles que careçam de meios adequados de subsistência.”

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About Paulo Varela

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5 Responses to Novamente a Alexandra, a menina Russa que fala português

  1. Ola,

    isto nao tem palavras, fiz um pequeno video internacional e tentei espalhar por todo o lado. Esta no you tube i iReport.

    http://www.ireport.com/docs/DOC-263641

    http://www.youtube.com/watch?v=skZYxasHlfc

    Bem aja

    Ricardo Preschel

  2. Pingback:olhaolha.com

  3. Paulo Varela says:

    Exactamente, infelismente já tem sido normal em portugal isto acontecer…

    É importante acrescentar que o Psicólogo Eduardo Sá, especialista em psicologia infantil, afirmou claramente que neste caso não foram de forma alguma cumpridas as normas da declaração dos direitos da criança, quando ele diz que nunca foram tidos em conta os principais interesses da criança.

    Uma outra coisa que me revolta de certa forma é o facto da mãe acusar a família de acolhimento de futuramente a meter numa casa de prostituição ou a vender para o tráfico de orgãos. Ela só podia estar alcoolizada para dizer aquilo, aliás, quem é essa pessoa para falar de prostituição… Será essa apenas a realidade a que ela está habituada?…

    Emfim, numa alteração a um ditado popular muito conhecido, P*** e mal agradecida! A única coisa lógica que vejo no meio deste caso é que essa senhora foi, e pelos vistos literalmente, a P**** que a pariu, mais nada! De resto é assim que ela agradece a quem lhe criou a filha…

    Espero que nada aconteça com a menina mas se um dia acontecer, gostava de ver um processo das autoridades Russas contra Portugal por ter tomado esta decisão… iria ser lindo!…

  4. Gil Lopes says:

    Por acaso vi a reportagem no jornal da Sic ás 13:50, ainda não tinha prestado muita atenção a mais este caso, e confesso que não fiquei supreendido.

    Já é normal em Portugal.

    Como disse o Sr. psicologo ou médico que lá esteve, tudo correu mal para os superiores interesses da menina.

    O problema é que quando o jornalista lhe pergunta se a menina quando for adulta como vai ser, este lhe responde que obviamente será uma pessoa com muitos traumas.

    Ou seja, além de ir demorar imenso tempo para se adaptar a um lugar estranho e desconhecido para ela (até a lingua), vai crescer sem poder confiar em ninguém, enfim, triste, mais uma situação muito triste para a forma como se desenrolou este processo.

    Abraço

  5. Pingback:domelhor.net

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