Deolinda – um fado diferente
Posted by Paulo VarelaMai 4
Agora sim encontrei algo sobre o qual me dá um certo prazer escrever. Tive a oportunidade de assistir há algumas horas atrás a um concerto de “Deolinda“ e devo dizer que foi magnifico ouvir cantar, por exemplo, o Fado Toninho de uma forma diferente que, por isso fez delirar o público que visitou a Festa das Cruzes em Barcelos no seu derradeiro dia. A forma como Ana Bacalhau (lindo nome mas a voz é melhor ainda) canta o trecho «beijinhos na boca arrepios no peito, e pagas as favas eu digo enfim, óh meu rapazinho és fraco p’ra mim» é de veras magnifica! Tenho a certeza que mais de metado do público não estaria lá se fosse um fadista tradicional que estivesse no palco. A certa altura ouvi ao longe, pois não conseguia chegar-me mais perto do palco, «e salta Deolinda olé, olé!». Sei que vão actuar na queima das fitas do Porto e tenho a certeza que irão ser muito bem recebidos pelo público.
Uma coisa que me chamou muito a atenção foi a forma como a Ana apresentava cada música (dedicando creio que nunca menos de um minuto a cada apresentação) que em Deolinda tem sempre uma história (isso para mim sim é música), grande parte das vezes «uma menina que estava apaixonada por um rapaz mas ele nem imaginava que ela existia» mas mesmo assim «vivia sempre na esperança de que um dia ele olhasse para ela e ficasse perdido de amores por ela» – cito porque foram mesmo estas as palavras que ouvi na amplificação sonora do palco principal na Festa das Cruzes em Barcelos, local mais que merecido para uma actuação deste nível. Foi de facto notável a forma como a banda contagiou o público fazendo os mais novos saltar e os mais velhos acompanhar com palmas, quase todas as músicas do seu repertório.
Pode ser estranho para os mais críticos que tenham sido transformadas músicas como o fado num tipo de música muito mais atraente e alegue do que o costume. Mas quem disse que o fado tem de ser triste? Quem disse que a Fadista tem de vistir de preto «como se do funeral dela se tratasse? Afinal de contas não é um concerto? A intenção de um concerto não é animar o público presente? Pois os Deolinda conseguem fazer isso e muito bem. Um conceito diferente que já depois de dois anos de «concertos memoráveis» tem agora o seu álbum de estreia, e um trabalho que eu certamente irei comprar pois vale a pena!
Parabéns à banda Deolinda, parabéns em especial à Ana Bacalhau pela sua energia contagiante em palco, não te importes com o facto de um mero espectador que estava ao meu lado, aparentemente alcoolicamente bem disposto, te ter chamado cigana pois ele gostou do espectáculo, caso contrário não teria ficado até ao fim… Voltem mais vezes a Barcelos! A Festa das Cruzes precisa de renovar a qualidade que tinha há uns anos e pelo que vi este ano guardaram o melhor para o fim! Até um próximo concerto!
Para quem estiver interessado, aqui ficam os próximos três concertos dos Deolinda:
4 Mai 2009 22:00 Queima das Fitas do Porto, Porto
8 Mai 2009 21:00 Fórum da Maia, Maia
9 Mai 2009 22:00 Enterro da Gata, Braga
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É bem verdade que este genero musical é bastante diferente, ainda mais quando vem de dentro.
Tens uma sorte, na tua terra e tudo.
Abraço